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Exportação de gado vivo do Pará representa 98% das vendas do país

A exportação de gado vivo no Pará cresceu em 2013 e, hoje, representa 98% das vendas do país, com um rebanho de 20 milhões de animais. Os produtores apostam na possibilidade de aumentar o número de embarques para países como a Venezuela, Líbano e Egito, principais compradores.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Daniel Freire, o número de embarques mostra uma nova configuração do mercado pecuário do Brasil. Os embarques estão cerca de 11% maiores que em 2012, graças aos investimentos no setor.

– O Estado do Pará tem um rebanho na ordem de 20 milhões de cabeças. Ele tem um desfrute na ordem de 4,200 milhões. Por enquanto, tem um abate certificado de 2,5 milhões. Então, você tem um ‘gap’ que é assimilado pelo abate clandestino e pela exportação de gado vivo. O Pará também supre outros Estados com os animais. É exportado gado vivo daqui via caminhão para outros Estados. A gente acredita que Pará é uma fronteira boa – diz o Freire.

Os números apontam que a Venezuela continua sendo o maior importador, mesmo com um leve recuo. O país sul-americano deixou de importar oito mil animais este ano, em relação ao mesmo período do ano passado. O Egito também reduziu a importação, por causa dos problemas políticos do país, passou de 16 mil cabeças, para apenas 6 mil em 2013. A diferença não foi sentida porque o Líbano, segundo maior importador do boi vivo brasileiro, mais que dobrou a compra. Pulou de 34 mil em 2012, para 87 mil cabeças este ano.

– A Venezuela tem um problema de aquisição de divisas. O país está comprando muito. Então, os importadores tiveram um pouco de problema para performar os contratos. A Venezuela caiu um pouco em 2013 e o Líbano, graças a deus, se recuperou e importou este ano o dobro do que vinha importando no ano de 2012 – destaca Freire.

De acordo com o supervisor administrador da companhia de Docas do Pará, Silvio Portugal, a estrutura dos portos paraenses permitiu o crescimento do setor. Segundo Portugal, por semana, são embarcados cerca de quatro mil animais. Alguns navios que atracam na companhia, por exemplo, têm capacidade de transportar até 20 mil animais.

– Nós temos uma movimentação bem considerável. Uma média de 500 mil toneladas de boi embarcado. É um mercado que cresceu bastante, evoluiu, foi regulamentado. É feito toda uma programação pra isso. Tem uma cadeia logística muito grande para que não tenha perda de animais, para que o animal não tenha sofrimento também – destaca Portugal.

A meta dos criadores é alcançar um crescimento de 20% até o fim deste ano. Para isso, eles estão apostando em novos mercados e num aumento de embarques ainda maior para o Líbano, já que o país está recebendo os civis sírios, que estão fugindo da guerra.

– O Líbano deve manter, pois tem a abertura de novos mercados, como o Egito, que já tinha exportado, mas retomou agora uma quantidade pequena. Tem a Jordânia, que nós já exportamos alguma coisa; a Turquia a gente não acredita, porque o protocolo sanitário retornou do país e é “incumprível”, muito restrito e o Brasil não está podendo exportar – disse Freire.

 

Fonte: Canal Rural