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Programa “Leite Social” promove aumento de renda a produtores rurais assentados no Sudeste do Pará

O dia 28 de fevereiro de 2014 ficará marcado para sempre na vida do produtor rural Luiz Barbosa, proprietário do Sítio Olhos D’Água, no Assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás, no Sudeste do Pará.

Nesse dia, o sr. Luis recebeu o primeiro pagamento de R$ 183,40 por 262 litros de leite excedentes tirados em sua propriedade e comercializados para o Laticínio Fortaleza, do mesmo município. “Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Eu sempre trabalhei para outras pessoas e agora, aos 55 anos de idade, estou conseguindo um dinheirinho fruto do meu suor e da produção de minhas vaquinhas. Posso olhar para os meus filhos e netos com orgulho de quem está atingindo um objetivo e com dignidade”, diz o produtor rural.

Luiz Barbosa é o primeiro pequeno produtor rural assentado do Sudeste do Pará a participar do programa Leite Social, iniciativa que une empresas privadas (Agro Santa Bárbara e Laticínios Fortaleza) com entidades de classe (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará/Faepa e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural/Senar) e instituições públicas (Secretaria de Agricultura do Estado do Pará e Banco da Amazônia).

“O Leite Social foi elaborado para atender produtores rurais assentados que precisam de assistência técnica para iniciar ou impulsionar a produção de leite em suas propriedades”, explica Fábio Dias, diretor da Agro Santa Bárbara, idealizador da iniciativa.

Na prática, os parceiros do programa colocam um zootecnista para assistência técnica aos produtores rurais participantes do “Leite Social”. Esse profissional ajuda a reformular todo o projeto de leite, começando pelo manejo do pasto – incorporando o uso de capim Mombaça –, depois dimensionamento das propriedades – divisão em piquetes para pastejo rotacionado –, noções de manejo de água e sombra e, quando as condições de produção permitem, uso de vacas de maior capacidade produtiva.

O pagamento recebido pelo sr. Luiz ainda vem de seis vacas de corte que ele tem no Sítio Olhos D’Água. “Agora que já tenho bons pastos quero substituir minhas vacas sem raça por fêmeas Girolando, que produzem muito mais”, informa o produtor com orgulho.

O sucesso do programa “Leite Social” é comprovado por números. Há um ano, as seis vacas do Sr. Luiz produziam, em média, 2 litros de leite por dia/cada. Agora, depois do manejo do pasto e uso de capim Mombaça, produzem até 6 litros por dia. “Parece milagre. Uso as mesmas vacas e tiro três vezes mais leite”, fala com orgulho o pequeno produtor. Com o uso de fêmeas Girolando, a produção dará um novo salto para cerca de 10 litros/vaca/dia.

“A tecnologia existe para auxiliar os pequenos produtores a viabilizar os seus projetos de leite. Após ajustes na alimentação e no manejo dos animais, o sr. Luiz está conseguindo ter algum lucro utilizando apenas ½ hectare (5.000 m2). O retorno econômico será ainda maior com a troca das vacas”, informa o zootecnista Felipe Pereira Lima, que presta assistência técnica ao programa.

Além do Sítio Olhos D’Água, outras 11 pequenas propriedades da região já são acompanhadas por Felipe Lima. Outro exemplo é José Victor da Silva, também do Assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás.

Com apenas três meses de participação no programa “Leite Social”, contando com visitas periódicas do zootecnista, o sr. José Victor já colhe resultados muito bons.

“Antes, minhas 45 vacas produziam cerca de 90 litros de leite por dia. A partir de março, ingressei no ‘Leite Social’ e passei 15 vacas para o programa. O resultado é impressionante. Com a mudança de capim, pasto rotacionado e outros ajustes no manejo feitos pelo Felipe, a produção dessas vacas aumentou quase quatro vezes”, relata o pequeno produtor.

“Antes do programa, a produtividade média na propriedade era de 1,85 litro por hectare/dia; hoje, está em 37,5 litros por hectare/dia”, informa o zootecnista Felipe Lima. “E isso com apenas 90 dias de assistência”.

“Vários fatores contribuem para o sucesso do programa Leite Social”, explica Fabio Dias, diretor da Agro Santa Bárbara. Em primeiro lugar, ele cita as condições de clima e solo no Pará, que possibilitam sistemas de produção baseados em pastagens e bovinos tanto de carne quanto de leite. Além disso, a região sudeste do estado já conta com capacidade instalada para processamento de leite e pontos de captação em vários municípios, como Eldorado dos Carajás.

“A estrutura fundiária na região Sudeste do Pará é outro ponto favorável ao programa, pois conta com grande quantidade de pequenas propriedades distribuídas em projetos de assentamento ou colonização, possibilitando a exploração de gado leiteiro. Também há ampla distribuição de energia elétrica e razoável rede de caminhos vicinais, o que contribui para a armazenagem primária (resfriamento) e subsequente transporte para indústria de laticínios. Finalmente, há boa oferta de crédito para agricultura familiar permitindo a ampliação ou estabelecimento de sistemas de produção leiteira na região”, explica Dias.

A primeira etapa do programa “Leite Social” foi estruturada para atender 40 pequenos produtores rurais do Sudeste do Pará. O exemplo positivo dos srs. Luiz e José Victor tem motivado outros assentados a se integrar ao programa e a meta está próxima de ser atingida. “Estamos prontos para avançar o programa”, ressalta Fabio Dias.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Agro SB